Setor do aço debate excesso de oferta e desafios do mercado local

O setor do aço se reúne daqui a um mês para discutir as principais questões do setor. O ano tem sido difícil para as siderúrgicas, com a redução do consumo em alguns dos principais mercados, como o setor automotivo, e uma situação de excesso de oferta global de aço. Na bolsa de valores brasileira, as ações das siderúrgicas refletem o momento desfavorável. No primeiro semestre, Usiminas, CSN e Gerdau estiveram entre as quatro maiores queda do Ibovespa, atrás apenas da MMX.
 
Com esse pano de fundo, representantes do Instituto Aço Brasil (IABr) e de companhias do setor vão debater as questões mais críticas em 12 e 13 de agosto, em São Paulo, começando pela situação de superoferta global de aço. “Grande parte de excesso é produzido por empresas estatais, principalmente na China”, diz Benjamin Baptista, presidente do conselho diretor do Instituto Aço Brasil (IABr), ao ValorPRO, serviço de tempo real do Valor. “São companhias que não seguem as mesmas regras de todo o mercado. Estão muito mais vinculadas aos governos de cidades com foco em emprego e arrecadação de impostos.”
 
As consequências do excesso de produção para o mercado brasileiro serão discutidas em um outro painel do evento, que será a 25â edição do Congresso Brasileiro do Aço. O IABr pretende debater como a indústria local pode crescer num ambiente desafiador e também como inovação, melhora de produtividade e práticas mais sustentáveis podem favorecer o desempenho do setor.
 
O evento também tem o objetivo de manifestar o que o setor espera do governo. Segundo Baptista, as siderúrgicas vão defender a necessidade de mais ações na área de defesa comercial e desonerações. “Sem uma paridade cambial, uma solução que ajudaria o setor no curto prazo seria a adoção de alíquotas maiores de importação para diversos segmentos”, afirma.
 
Entre os presentes, estarão no evento o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, o governador Geraldo Alckmin e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
 
A baixa utilização da capacidade instalada no país — inferior a 70% — também estará entre os temas em discussão, diz Baptista, que é presidente da ArcelorMittal Tubarão. Será dedicado um tempo para os debates sobre competitividade, com análises sobre a redução das exportações do aço brasileiro, o aumento das importações, os efeitos do câmbio para o negócio siderúrgico e o fraco desempenho do consumo de aço, tanto no Brasil como no exterior. “O cenário nacional ainda é muito turbulento. O acúmulo de impostos e o custo da energia reduzem a possibilidade de as empresas locais competirem na exportação”, diz.
 
Nos cinco primeiros meses do ano, o consumo aparente nacional caiu 0,3% em comparação com o mesmo período do ano passado, para 10,8 milhões de toneladas. Cerca de 32% do total tem como origem o material importado, considerando tanto as importações diretas, como as indiretas (em automóveis, autopeças, equipamentos e máquinas, por exemplo).
 
Fonte: Aço Brasil

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